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Viagem a Portugal V — ⟨título a confirmar⟩
⟨introdução — a escrever⟩
10 dias. _⟨ajustar⟩
Dia 1 — 3 de julho, sexta-feira
Percurso do dia: Divisões, Arneiro, Mangualde, Viseu.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Divisões
Divisões
Divisões ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Mangualde
Mangualde ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Viseu
«Esta é a parte velha de Viseu, que o viajante percorre devagar, com a estranha impressão de não estar neste século.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Viseu ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 2 — 4 de julho, sábado
Percurso do dia: Castro Daire, Moura Morta, Bigorne, Felgueiras, São Martinho de Mouros, Lamego.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Castro Daire
«a estrada que vai a Castro Daire é muito bela. O viajante sente-se reconciliado com o mundo, entre montes e florestas»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Castro Daire
Castro Daire
Castro Daire ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Moura Morta
Moura Morta ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
São Martinho de Mouros
«Nunca viu igreja assim. Afinal, a proclamada rigidez das propostas românicas ainda deixava bastante campo à invenção.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
São Martinho de Mouros ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Lamego
«Vir a Lamego e encontrar quem me ofereça tecto sem me conhecer, nunca contei que tal acontecesse.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Lamego
Lamego
Lamego ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 3 — 5 de julho, domingo
Percurso do dia: Lamego, Queimada, Peso da Régua, São Pedro das Águias.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Peso da Régua
«O almoço é em Peso da Régua e dele não ficou cheiro nem sabor para a memória.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Peso da Régua
Peso da Régua ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 4 — 6 de julho, segunda-feira
Percurso do dia: Peso da Régua, Godim, Mesão Frio, Pombeiro de Ribavizela.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Peso da Régua
Peso da Régua ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Godim
Godim ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Mesão Frio
Mesão Frio
Mesão Frio ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 5 — 7 de julho, terça-feira
Percurso do dia: Queimada, Salzedas, Ucanha, São João de Tarouca, Tarouca.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Queimada
«Debaixo destas pedras, o viajante retira-se do mundo.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Queimada
Queimada
Queimada ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Salzedas
«O viajante pára à sombra de uma enorme construção que sobe pelo céu acima»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Salzedas
Salzedas ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Ucanha
«O viajante namora cá de baixo a preciosa imagem da Virgem coroada, com o Menino ao colo»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Ucanha
Ucanha ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
São João de Tarouca
«o túmulo do filho bastardo de D. Dinis é das mais impressionantes coisas que o viajante tem visto e sentido»
— José Saramago, Viagem a Portugal
São João de Tarouca
São João de Tarouca ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 6 — 8 de julho, quarta-feira
Percurso do dia: Tarouca, Ucanha, Moimenta da Beira, Ferreirim, Trancoso, Velosa.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Tarouca
«a Igreja de São Pedro, foi ver o túmulo manuelino, rendilhado, filigrana de pedra no seu desenvolvimento de arcossólio e colunelos»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Tarouca ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Moimenta da Beira
«Quando chega a Moimenta da Beira, seria já tarde para almoçar se não fosse a boa vontade de quem o atende.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Moimenta da Beira
Moimenta da Beira ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Trancoso
«As muralhas estão lá, a história é antiga, mas o viajante sente-se rejeitado.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Trancoso
Trancoso
Trancoso ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Velosa
Velosa ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 7 — 9 de julho, quinta-feira
Percurso do dia: Guarda, Aldeia Viçosa, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Linhares, Vale de Estrela.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Guarda
«verificar que as raparigas da Guarda são bonitas, substanciais e olham de frente»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Guarda
Guarda ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Aldeia Viçosa
«A estrada é muito estreita, sombreada de altas árvores, há portões de quintas, frontarias apalaçadas. De repente uma curva, aí está Aldeia Viçosa.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Aldeia Viçosa ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Celorico da Beira
«deixou-se ser o maior dos que em terra portuguesa nascem. Alguns destinos humanos são assim.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Celorico da Beira ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Fornos de Algodres
Fornos de Algodres ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Linhares
«O viajante teve em Linhares um guia de primeira ordem.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Linhares
Linhares ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 8 — 10 de julho, sexta-feira
Percurso do dia: Guarda, Vale de Estrela, Valhelhas, Belmonte.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Vale de Estrela
Vale de Estrela ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Valhelhas
«a estrada é um grande deserto»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Valhelhas
Valhelhas ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Belmonte
«O viajante tem em Belmonte um dos mais profundos abalos estéticos da sua vida.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Belmonte
Belmonte ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 9 — 11 de julho, sábado
Percurso do dia: Belmonte, Sortelha, Sabugal.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Belmonte
Belmonte
Belmonte ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Sortelha
«Entrar em Sortelha é entrar na Idade Média»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Sortelha
Sortelha
Sortelha ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Sabugal
«nada mais viu que o geral aspecto duma vila ruidosa que ou vai para a feira ou vem de feirar»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Sabugal
Sabugal
Sabugal
Sabugal ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 10 — 12 de julho, domingo
Percurso do dia: Belmonte, Sardoal.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Sardoal
Sardoal
Sardoal ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Epílogo
⟨fecho — a escrever⟩
-
Viagem a Portugal IV — ⟨título a confirmar⟩
⟨introdução — a escrever⟩
4 dias. _⟨ajustar⟩
Dia 1 — 3 de abril, sexta-feira
Percurso do dia: Viana do Castelo.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Dia 2 — 4 de abril, sábado
Percurso do dia: Viana do Castelo.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Viana do Castelo
Viana do Castelo ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 3 — 5 de abril, domingo
Percurso do dia: Viana do Castelo, Caminha.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Caminha
«Em Caminha, vista a casa quinhentista dos Pitas, armada de merlões chanfrados, com as suas vergas das janelas golpeadas»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Caminha ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 4 — 6 de abril, segunda-feira
Percurso do dia: Vila Nova de Cerveira, Valença.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Vila Nova de Cerveira
Vila Nova de Cerveira ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Valença
⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Epílogo
⟨fecho — a escrever⟩
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Viagem a Portugal III — ⟨título a confirmar⟩
⟨introdução — a escrever⟩
6 dias. _⟨ajustar⟩
Dia 1 — 31 de outubro, terça-feira
Percurso do dia: Abrantes.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Abrantes
«Da janela do seu quarto, o viajante vê o Tejo, reconhece o largo fluxo que, mais aqui, mais além, o acompanha desde a infância»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Abrantes
Abrantes ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 2 — 1 de novembro, quarta-feira
Percurso do dia: Castelo de Vide.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Castelo de Vide
«Os portais das casas têm sido conservados com amor e respeito que comovem o viajante.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Castelo de Vide ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 3 — 2 de novembro, quinta-feira
Percurso do dia: Portalegre.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Portalegre
«assoma à pequena varanda, quanto basta a um poeta, olha por cima das casas novas os campos antigos»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Portalegre ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 4 — 3 de novembro, sexta-feira
Percurso do dia: Campo Maior.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Campo Maior
«veja a octogonal Igreja de São João Baptista, com seus mármores trabalhados segundo um desenho clássico, no entanto não frio»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Campo Maior ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 5 — 4 de novembro, sábado
Percurso do dia: Campo Maior.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Dia 6 — 5 de novembro, domingo
Percurso do dia: Campo Maior.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Epílogo
⟨fecho — a escrever⟩
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Viagem a Portugal II — ⟨título a confirmar⟩
⟨introdução — a escrever⟩
10 dias. _⟨ajustar⟩
Dia 1 — 3 de junho, sábado
Percurso do dia: Fátima, Arouca.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Fátima
«Hoje, a imensa esplanada é um deserto»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Fátima ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Arouca
«terem passado naquele mesmo instante três belíssimas raparigas, altas, esbeltas, seguras, que pareciam doutro tempo, passado ou futuro»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Arouca ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 2 — 4 de junho, domingo
Percurso do dia: Arouca, Vale de Cambra, Pedras Parideiras, Capela da Senhora da Lage, Marco de Canaveses, Amarante.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Pedras Parideiras
Fora da viagem de Saramago: o Centro de Interpretação das Pedras Parideiras, na Castanheira — geossítio da Serra da Freita (Arouca Geopark) onde o granito vai libertando nódulos de biotite.
Pedras Parideiras
Pedras Parideiras ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Capela da Senhora da Lage
Fora da viagem de Saramago: a Capela de Nossa Senhora da Lage, na Serra da Freita (Arouca).
Capela da Senhora da Lage ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Marco de Canaveses
Marco de Canaveses ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 3 — 5 de junho, segunda-feira
Percurso do dia: Amarante, São João de Gatão, Telões, Cumeeira, Parada de Cunhos, Vila Real.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Amarante
«vai o viajante entrando em Amarante, cidade que parece italiana ou espanhola, a ponte e as casas que na margem esquerda do Tâmega se debruçam»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Amarante
Amarante ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
São João de Gatão
«assim como não dirão que súbita comoção é esta que enche de lágrimas os olhos do viajante»
— José Saramago, Viagem a Portugal
São João de Gatão ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Parada de Cunhos
«até Parada de Cunhos, e aí, voltando costas ao rio Corgo, enfrenta o Marão»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Parada de Cunhos ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Vila Real
«pasma deste privilégio, a avenida de cintura, pista de corridas para bólides de fora e dentro»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Vila Real
Vila Real
Vila Real
Vila Real ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 4 — 6 de junho, terça-feira
Percurso do dia: Vilarinho de Samardã, Vila Pouca de Aguiar, Boticas, Pero de Lagarelhos, Chaves, Montalegre, Pitões das Júnias, Outeiro.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Vilarinho de Samardã
«Ainda teve o viajante tempo para ouvir o zumbido das abelhas e seguir ao longo da casa, espreitando as varandas corridas»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Vilarinho de Samardã
Vilarinho de Samardã ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Vila Pouca de Aguiar
Vila Pouca de Aguiar
Vila Pouca de Aguiar
Vila Pouca de Aguiar ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Boticas
Fora da viagem de Saramago: a vila de Boticas, nas Terras de Barroso.
Boticas ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Montalegre
Fora da viagem de Saramago: a vila de Montalegre e o seu castelo medieval, no planalto do Barroso.
Montalegre
Montalegre ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Pitões das Júnias
Fora da viagem de Saramago: a aldeia de Pitões das Júnias e o Mosteiro de Santa Maria das Júnias, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Pitões das Júnias ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Outeiro
Fora da viagem de Saramago: a aldeia de Outeiro, no planalto da Mourela (Montalegre), dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Outeiro
Outeiro ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 5 — 7 de junho, quarta-feira
Percurso do dia: Vieira do Minho, São Bento da Porta Aberta, Covide, Ponte da Barca.
⟨notas do dia — a escrever⟩
São Bento da Porta Aberta
São Bento da Porta Aberta ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Covide
Covide ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Ponte da Barca
«chegando a Ponte da Barca, decidiu que não havia de deixar abater-se por desânimos e avançou para a serra do Soajo»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Ponte da Barca
Ponte da Barca ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 6 — 8 de junho, quinta-feira
Percurso do dia: Giela, Arcos de Valdevez, Ermelo, Anta do Mezio, Soajo, Lindoso, Castro Laboreiro.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Giela
Giela ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Arcos de Valdevez
⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Anta do Mezio
Fora da viagem de Saramago: a Anta do Mezio, monumento megalítico (c. 3000 a.C.) junto à Porta do Mezio, entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês em Arcos de Valdevez.
Anta do Mezio ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Soajo
Soajo ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Castro Laboreiro
«Castro Laboreiro chega sem avisar, numa volta da estrada»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Castro Laboreiro ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 7 — 9 de junho, sexta-feira
Percurso do dia: Castro Laboreiro, Nossa Senhora da Orada, Melgaço, Monção, Valença.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Nossa Senhora da Orada
«a Igreja da Nossa Senhora da Orada, pequena construção românica decentemente restaurada, é tal obra-prima de escultura que as palavras são desgraçadamente de menos»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Nossa Senhora da Orada ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Melgaço
«a torre de menagem é coisa de tomo, avulta sobre o casario como o pai de todos»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Melgaço ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Monção
«Quando entra em Monção, acendem-se os primeiros candeeiros.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Monção ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Valença
Valença ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 8 — 10 de junho, sábado
Percurso do dia: Paredes de Coura, Rubiães, Romarigães, Ponte de Lima, Balugães, Abade de Neiva, Barcelos.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Rubiães
«Rubiães é um templo românico fechado. O adro está praticamente coberto de lápides sepulcrais, entre o antigo e o quase moderno.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Rubiães ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Romarigães
Romarigães ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Ponte de Lima
Ponte de Lima ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Abade de Neiva
«Em Abade de Neiva foi o viajante ver o conjunto de igreja e torre de mais viva atmosfera medieval que até agora encontrou»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Abade de Neiva ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Barcelos
«nunca outro melhor manjar comeu nem espera vir a comer, porque não é possível repetir a inventiva humana esta maravilhosa e rústica comida»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Barcelos
Barcelos ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 9 — 11 de junho, domingo
Percurso do dia: Barcelos, Vila Nova de Famalicão, São Miguel de Ceide, Santa Eulália, Águeda.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Vila Nova de Famalicão
Vila Nova de Famalicão ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
São Miguel de Ceide
«Camilo esteve neste lugar. As árvores nem eram estas, nem as plantas, nem provavelmente o empedrado do chão.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
São Miguel de Ceide ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Santa Eulália
«que está num alto, isolada do congestionado centro da vila»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Santa Eulália ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Águeda
«A caminho de Águeda faz estas meteorológicas reflexões, enquanto vai observando a paisagem.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Águeda ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Dia 10 — 12 de junho, segunda-feira
Percurso do dia: Santa Eulália.
⟨notas do dia — a escrever⟩
Santa Eulália
Santa Eulália ⟨o que ver / o que aconteceu aqui — a escrever⟩
Epílogo
⟨fecho — a escrever⟩
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Viagem a Portugal I — burros, laranjas e aldeias quase vazias
A viagem antes da viagem
Descobrimos por acaso o livro de José Saramago, Viagem a Portugal, na RTP, através da série com o mesmo nome apresentada por Fábio Porchat. A primeira edição do livro foi publicada em 1981, depois de, entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago ter percorrido o país a convite do Círculo de Leitores. Gostamos bastante de Saramago, mas desconhecíamos por completo este livro, ficámos curiosos e resolvemos ver o primeiro episódio, no qual Fábio Porchat visita, entre outros locais, Torre de Moncorvo, Amarante e Chaves. Ao ver esse episódio, achámos que seria interessante fazermos também nós uma viagem a Portugal, seguindo os passos de Saramago, 42 anos depois. Entretanto ofereceram-nos o livro, metemos a série em pausa e começámos a tirar notas sobre todos os lugares mencionados e… são muitos! Saramago vai visitando todas as capelinhas que lhe aparecem pelo caminho, e com isso aproveita para conhecer um pouco mais das gentes e das terras por onde passa. Esse é um dos pontos mais curiosos do livro: o interesse e o conhecimento que Saramago, um ateu convicto, demonstra em relação à arte sacra, e como aproveita esse interesse para se conectar àqueles que vai encontrando pelo caminho.
Começar a preparar a viagem e a adicionar todos os pontos no mapa fez-nos perceber que ia mesmo ser preciso alguma organização, e fazer algumas concessões em relação ao roteiro de Saramago que nos permitissem também incluir alguns locais que queríamos visitar e onde Saramago não parou ou esteve pouco tempo, assim como ter algum tempo extra para passeios pela Natureza. Também deu para perceber que esta não é uma viagem para fazermos num fim-de-semana ou num Verão, por isso vamos fazendo-a aos poucos. Esta primeira etapa foram oito dias, de 18 a 25 de fevereiro de 2023, do centro ao nordeste transmontano e de regresso. E foi um de nós que conduziu o caminho quase todo, o que, entre serras e estradas que nunca mais acabavam, nem sempre foi fácil.
«É preciso recomeçar a viagem. Sempre.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Dia 1 — 18 de fevereiro, sábado
Percurso do dia: Coimbra.
«deixa a xoxota respirar»
A universidade Começámos por Coimbra, e num sábado, o que se revelou um pequeno erro de cálculo: estava quase tudo fechado. Bom para a cidade, se calhar, mas aborrecido para quem chega de fora a querer passear. Ficámos só uma noite. Deu para subir e descer as colinas todas (Coimbra não poupa as pernas a ninguém) e espreitar os jardins da Faculdade e o Jardim Botânico. Este foi a melhor surpresa do dia, maior e mais bonito do que esperávamos, ainda que um pouco ao abandono, e com uma vista bonita sobre a cidade. Apanhámos imensos autocarros a passar, coisa que, não sabemos bem porquê, nos surpreendeu, e até encontrámos algumas opções vegan. Não chegámos a entrar na biblioteca e ficou muita coisa por ver, mas era uma cidade simpática, e fica sempre uma desculpa para voltar. E, pelas paredes, muita arte urbana, que Coimbra tem aos montes. Ficámos com uma peça da Ninas, um coletor menstrual, e com uma frase pintada que merece ser levada por aí: «deixa a xoxota respirar».
Dia 2 — 19 de fevereiro, domingo
Percurso do dia: Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa.
O primeiro dia a sério de estrada, já com as primeiras amendoeiras em flor a aparecer pelo caminho.
Figueira de Castelo Rodrigo
«pelo arco que sustenta o coro, constituído por elementos de pedra em forma de S e considerado único no País.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A igreja matriz Parámos para almoçar e demos com um restaurante enorme, cheio de uma excursão, com meia dúzia de pessoas a servir, e ainda assim fomos rápidos. À saída, passámos por um campo cheio de amendoeiras em flor. Fomos também a um pequeno museu sobre uma batalha que, ao que percebemos, ajudou a manter Portugal independente de Espanha. Ficou por ver o castelo de Castelo Rodrigo, que era um bocado fora de mão.
Vila Nova de Foz Côa
O vale do rio Côa De Foz Côa, na verdade, não chegámos a ver a vila: ficámos pelo museu do Côa, já ao fim do dia. As gravuras, lá em baixo no vale, ficaram para outra vez, porque eram longe e começava a fazer-se tarde, e não nos apetecia andar por ali pela noite dentro. Mas o vale do Côa, fundo e bonito, valeu bem a paragem.
Dia 3 — 20 de fevereiro, segunda-feira
Percurso do dia: Torre de Moncorvo, Vila Flor, Mazouco.
Foi um dia variado: uma vila que nos recebeu já de noite, uma igreja de que mal nos lembramos, e um desvio fora do mapa que quase nos deixou pelo caminho.
Torre de Moncorvo
«Quando o viajante entra em Torre de Moncorvo, já há muito tempo que é noite fechada»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A antiga estação de comboios Saramago entrou em Moncorvo de noite fechada, e connosco foi quase igual. Ainda era dia quando chegámos, mas escureceu tão depressa que já parecia noite. A vila está muito lá no alto, um bocado fora de tudo, e a primeira impressão foi, sejamos sinceros, um nadinha assustadora. Ficámos numa casa senhorial enorme que, à noite e meio vazia, parecia saída de uma telenovela antiga. Mal chegámos, demos de caras com uma figura bem conhecida da terra, à conversa com as poucas pessoas que ainda andavam na rua. Andámos um bom bocado à procura de um restaurante (havia uns bares de ar duvidoso e pouco mais) e acabámos a jantar uma sopa e umas moelas que estavam bem boas. Na manhã seguinte, já com a vila a outra luz, demos uma volta pelo Largo da Igreja, onde alguém se tinha dado ao trabalho de entrelaçar, uma a uma, todas as árvores.
Vila Flor
«o pórtico desta matriz do século XVII é digno de grandes atenções e demora suficiente»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Um arco de pedra antigo
A margem da albufeira
A vila, com a igreja De Vila Flor, confessamos, ficou-nos pouco. A igreja grande no seu largo, com aquele pórtico que Saramago manda reparar, o caminho à entrada e a volta que lhe demos. Lembramo-nos de lá ter estado, e seguimos viagem. Há paragens assim, em que não acontece grande coisa e de que fica só a fotografia.
Mazouco
Fora da viagem de Saramago: as gravuras rupestres do Mazouco, o primeiro sítio de arte paleolítica ao ar livre identificado em Portugal, só foram descobertas em 1981, dois anos depois da sua passagem.
A gravura rupestre, no fundo do vale, junto ao rio
O vale, sobre o rio Mazouco não estava no roteiro de Saramago, nem podia estar: as gravuras rupestres só foram descobertas em 1981, dois anos depois de ele ter passado por aqui. Como não tínhamos descido ao Côa para ver as do parque, achámos que ficava mais ou menos a meio caminho e que valia o desvio. «Mais ou menos» é maneira de dizer, porque foi preciso descer um vale enorme por estradas duvidosas. Deixámos o carro no centro da aldeia (só um largo, casas antigas lado a lado com casarões renovados, e quase só gente mais velha na rua) e fizemos o resto a pé. A descida até à gravura, virada para o rio, era curta mas íngreme. A subida, com um calor impróprio de fevereiro (havia incêndios à volta e uma trovoada a ameaçar) e sem uma gota de água connosco, quase nos liquidou. Lá em cima, uns senhores acharam-nos meio malucos por termos descido a pé, e despediram-se de nós com laranjas de Mazouco, «as mais doces, não há outra laranja igual a esta». Tinham toda a razão, sabiam mesmo a outra coisa. Só nos ficou a pena de não termos trazido mais.
Dia 4 — 21 de fevereiro, terça-feira
Percurso do dia: Miranda do Douro, Sendim, Mogadouro, Vimioso.
Um dos dias preferidos. Acordámos em Miranda do Douro e passámos a manhã com os burros de Atenor, antes de seguir por Sendim, Mogadouro e Vimioso.
Miranda do Douro
«a escarpada parede é uma enorme pintura abstracta em diversos tons de amarelo, e nem apetece daqui sair enquanto houver luz»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A igreja
O canhão do Douro, com a igreja no alto Chegámos a Miranda já mais para o fim do dia, com frio. A cidade fica sobre o Douro, com a tal escarpa amarela que o Saramago descreve, hoje toda grafitada. O centro histórico é bonito e ainda tem alguma vida, embora os prédios de fora, mais novos, sejam uns quantos sem grande graça, como em tanta cidade portuguesa. Ficámos numa residencial com aquecimento no chão, um luxo inesperado para o frio que fazia. Foi também aqui que um de nós adoeceu, coisa que nos acompanhou nos dias seguintes.
Atenor
Fora da viagem de Saramago: o Centro de Valorização do Burro de Miranda (AEPGA), em Atenor, que acolhe e protege a raça asinina mirandesa.
Os burros, no curral da AEPGA Foi aqui que tivemos o momento preferido da viagem. Marcámos uma visita à AEPGA e passámos a manhã a fazer-lhes festas e a brincar com eles. Havia muitos, com nomes como o Dom Quixote e a Dulcineia, esta prenha, e até crias acabadas de nascer. São animais muito dóceis, e custou-nos vir embora.
Sendim
«este molho de vinagre que faz transpirar as maçãs do rosto e é cabal demonstração de que há uma felicidade do corpo»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A igreja
A antiga estação de comboios Em Sendim fomos almoçar à Gabriela, um restaurante que descobrimos através do podcast Viagem a Portugal, de Fernando Alves, na TSF, que falava muito dele. A senhora que o tornou famoso já tinha falecido, mas a família manteve a casa e o espírito. Comemos uma posta mirandesa enorme, daquelas que nos deixam sem conseguir levantar da cadeira. Pesado, mas valeu cada garfada, e até assenta bem aqui aquilo que o Saramago diz sobre a felicidade do corpo.
Mogadouro
«do alto do castelo se podem deitar contas ao trabalho dos homens e das mulheres deste lugar»
— José Saramago, Viagem a Portugal
As ruínas do castelo
Vista da vila De Mogadouro guardámos sobretudo o castelo, lá no alto, sozinho sobre as terras, com umas poucas casas mais abaixo. Andámos à procura dele, subimos, e pouco mais. Não encontrámos ninguém, e a verdade é que não nos ficou muito além disto.
Vimioso
«sentado nos degraus que dão acesso ao adro, o viajante ouve contar uma história da história da construção do templo»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Os campos em redor Vimioso era um nome que nos dizia alguma coisa e que queríamos conhecer mas, sendo sinceros, quase nada nos ficou dele. Mais uma terra pequena, com a sua igreja, onde parámos e seguimos.
Dia 5 — 22 de fevereiro, quarta-feira
Percurso do dia: Guadramil, Rio de Onor, Bragança.
Outro dos dias preferidos, agora a caminho do canto mais a nordeste de tudo, lá em cima na raia, antes de descer a Bragança.
Guadramil
As terras de cultivo
Uma rua de calçada, entre casas de pedra e hortas Guadramil deve ter umas dez pessoas e, nesse dia, pareciam estar todas na rua: uns senhores a tratar dos carros, umas senhoras sentadas à porta. É um sítio que parece mesmo fora da civilização, com aquelas estradinhas de calçada e um riozinho a passar. Ficou-nos uma imagem de que ainda temos pena: uma senhora sentada a olhar para a água, do outro lado. Quisemos tirar-lhe uma fotografia, mas tivemos vergonha e não tirámos.
Rio de Onor
«Dobrou-se uma curva, aparece entre as árvores um luzeiro de água, ouve-se um restolhar líquido sobre as fragas, e depois há uma ponte de pedra.»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A placa com o nome da aldeia
O ribeiro Rio de Onor é uma aldeia partida em duas pela fronteira: passa-se de Portugal para Espanha sem dar por isso, ainda dentro da mesma vila. O lado português, mais velho, tem as casas encostadas ao rio e uma ponte de pedra, como na curva que o Saramago descreve. O lado espanhol, logo ali, é mais moderno, e tinha farmácia e tudo, coisas que do lado de cá não havia. Não se via quase ninguém, só um café e umas hortas, mas percebia-se que ainda ali vive gente. Dá que pensar que, deste lado, a cidade mais próxima é Bragança, longe e difícil de alcançar.
Bragança
«desta encosta se vê Bragança. A tarde apaga-se rapidamente, o viajante vai cansado»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A igreja
A gineta de sucata do Bordalo II
Um edifício de pedra coberto de hera
Os passadiços junto ao rio
A cidade, vista do alto
O castelo Bragança foi a maior cidade da viagem depois de Coimbra, e deu para sentir a diferença: tem universidade, passadiços ao longo do rio e, como Coimbra, colinas que não acabam. O Saramago também chegou aqui cansado, e percebemo-lo bem. Pela cidade demos com uma gineta, uma das esculturas de animais feitas de lixo do Bordalo II, e com o Centro de Fotografia Georges Dussaud, onde ficámos a namorar o livro Trás-os-Montes, cheio de fotografias antigas da região (andámos depois à procura dele, mas está quase todo esgotado). Para jantar, encontrámos o Batoque, um restaurante pequeno e escondido especializado em cogumelos, com pratos que davam para comer vegano, coisa rara por estas bandas. É também a terra dos caretos, embora os mais conhecidos, cheios de palha e cor, sejam de Podence; estávamos perto do Carnaval, mas não chegámos a apanhá-los.
Dia 6 — 23 de fevereiro, quinta-feira
Percurso do dia: Bragança, Vilaverdinho, Mirandela, Carrazedo de Montenegro, Chaves.
Um dia de muitos quilómetros e muitas paragens, a atravessar Trás-os-Montes de nordeste a noroeste, até Chaves.
Bragança
Bancos sobre os antigos carris De manhã, antes de seguir viagem, fomos ao museu ferroviário de Bragança, um dos núcleos do Museu Ferroviário Nacional, instalado na estação, hoje sem comboios. Surpreendeu-nos: é grande e bem feito, melhor do que esperávamos para um sítio onde já não chega uma linha. Boa parte dele é sobre a luta da cidade para não perder o comboio, e para o voltar a ter. Não teve final feliz: ganhou, como quase sempre, a autoestrada.
Vilaverdinho
«em Vilaverdinho é que soube que a ideia das melhorias foi de um antigo ministro de Obras Públicas»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A capela Vilaverdinho é fácil de alcançar, e confessamos que não percebemos logo porque é que o Saramago foi até lá, até nos lembrarmos de que andava à procura de uma capela. Nós chegámos, demos uma volta pela praça e saímos. Mais uma vez, não se via grande coisa nem ninguém.
Mirandela
A cidade, vista da ponte
Um edifício antigo, no centro De Mirandela há que confessar um pecado: passámos por lá e não comemos uma única alheira, o que é quase um crime. É já uma cidade maior, mas ficou-nos com um ar de subúrbio, de construção nova sem grande encanto, e foi, sinceramente, das paragens de que menos gostámos.
Carrazedo de Montenegro
«deu três passos e achou-se no coro alto, excelente ponto de vista para abarcar toda a nave»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A igreja matriz
Um chafariz
Uma capela mais pequena
Um café abandonado, numa esquina Carrazedo de Montenegro foi uma surpresa. Conduzes quilómetros sem nada à volta e, de repente, chegas a uma terra bem maior do que esperavas, com prédios, casas novas, gente jovem e até indústria. Percebemos porquê: é uma espécie de capital da castanha. Não é propriamente bonita, mas tinha uma vida que não víamos havia vários sítios.
Chaves
«painéis de azulejos forram de alto a baixo a nave e são uma festa para os olhos»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Vagões de mercadorias
O castelo
As termas romanas
A ponte romana Chaves deixou-nos com vontade de voltar. Comemos pastéis de Chaves, claro, e uma bôla, aquele pão recheado de carnes. A cidade tem uma ponte romana e muitos vestígios romanos e, mesmo no centro, por baixo de um parque de estacionamento, escondem-se umas termas romanas enormes. Pareceu-nos uma cidade boa para se viver, com vida dos dois lados do rio. É também o quilómetro zero da Estrada Nacional 2, e o primeiro sítio onde vimos o nome da cidade escrito naquelas letras grandes que agora há por todo o lado. A Nacional 2 chegou a ser o nosso plano, antes de a Viagem a Portugal nos levar por caminhos que ela não faz.
Dia 7 — 24 de fevereiro, sexta-feira
Percurso do dia: Chaves, Pedras Salgadas, Murça.
Manhã ainda em Chaves e depois para sul, com paragem nas termas de Pedras Salgadas e na Murça da famosa porca.
Pedras Salgadas
Fora da viagem de Saramago: a estância termal de Pedras Salgadas e o seu parque.
O casino
O portão de entrada do parque
Uma das nascentes Pedras Salgadas não estava na viagem do Saramago mas, ao contrário do Mazouco, já cá podia estar: a exploração das águas começou em 1871, muito antes de ele passar. Hoje é um parque com spa e museu, mas já foi uma estância de elite, com casino e tudo, no início do século XX. A particularidade são as nascentes de água naturalmente gaseificada, raras, e em Pedras há várias (chegaram a contar-se oito). Antigamente, cada fonte servia para tratar uma maleita diferente, e havia até uma senha que dizia a cada visitante de que água podia beber e quantas vezes por dia. No museu ficámos a saber que a água era levada de carroça de bois até ao Douro, e dali seguia de barco, e que de um dos fundadores não há uma única fotografia, o que dá um certo mistério à coisa. O parque pode visitar-se à borla; só se paga o museu, ou para dormir nas casas na árvore.
Murça
«Ali está no largo principal, toda em costados e lombos, em presuntos inesgotáveis, fungando a quem passa»
— José Saramago, Viagem a Portugal
A porca, no largo principal Em Murça está a famosa porca, uma grande estátua de pedra no largo principal, que dá nome até a um vinho, o da Porca de Murça. Qual é a história da porca? Sinceramente, não fazemos ideia, e já a esquecemos. Se ficaram curiosos, fica o desafio: procurem. A terra tem alguma vida, com as suas cooperativas e gente na rua, ainda que estivesse um bocadinho vazia.
Dia 8 — 25 de fevereiro, sábado
Percurso do dia: Buçaco.
O último dia, já de regresso ao centro. Na véspera tínhamos descido até ao Luso, à chuva e de noite, por estradas estreitas e cheias de trânsito, uma viagem que não recordamos com saudade. O Saramago passou pelo Buçaco, mas não pelo Luso, onde nós ficámos.
Buçaco
«A mata do Buçaco requer as palavras todas, e, estando ditas elas, mostra como ficou tudo por dizer»
— José Saramago, Viagem a Portugal
Um ribeiro, junto a um trilho na mata
O Palácio do Buçaco, visto dos jardins Antes de entrar na mata, fomos beber água do Luso à fonte, mesmo ao lado do hotel, onde estava muita gente a encher garrafas. Sabe melhor ali do que engarrafada, garantimos. Depois fomos passear aos jardins do Buçaco, e o Saramago tem razão: aquela mata pede todas as palavras. Mesmo em fevereiro estava tudo muito verde, cheio de água e de mil verdes diferentes, e ainda demos uma boa caminhada lá pelo meio. Vimos também o Palácio do Buçaco, impressionante, hoje um hotel (caro, espreitámos os preços).
Epílogo
No fim, ficou-nos uma sensação agridoce. O Saramago, no livro, é recebido de braços abertos: mete conversa com toda a gente, e há sempre alguém para lhe contar uma história. Nós, passado todo este tempo, encontrámos sobretudo aldeias vazias. Muitos destes sítios estão hoje quase desertos, esvaziados pela emigração, e houve dias inteiros em que mal vimos uma alma na rua. As poucas vezes em que houve conversa a sério foram com os senhores do Mazouco e as suas laranjas, e talvez seja esse o nosso maior arrependimento: que não tenham aparecido mais histórias assim, daquelas que se contam depois. Se calhar a culpa também é nossa, que não somos os melhores a meter conversa com quem passa.
Mas, no geral, gostámos muito. Os acessos eram bem melhores do que esperávamos, e há uma beleza particular nesta parte mais raiana de Trás-os-Montes, vazia, que por vezes nos lembrou o Alentejo. Ficam os momentos preferidos: os burros de Atenor, as laranjas de Mazouco, Guadramil, Chaves. E fica a vontade de voltar, e de continuar a viagem.